domingo, 3 de setembro de 2017

Ler é voar


Concordância


EE Profª Margarida Maia de Almeida Vieira
Língua Portuguesa – Estudo da Língua – Concordância  - 3 º Bimestre / 2017
Aluno : ........................................................................Nº .......... Turma......Data: ......../........./.............
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Texto 1

Rua Morta

Longa rua distante de subúrbio,
velha e comprida rua não violada pelos prefeitos,
passo sobre ti suavemente neste fim de tarde de domingo.

Sinto-te o coração pulsando oculto sob as areias.
 O sangue circula na copa imensa dos flamboyants.

Tropeço nos passos perdidos há muito nestas areias,
onde as pedras não vieram ainda sepultá-los.
 Passos de homens que jamais voltarão.

Ó velhos chalés de 1830,
 eterniza-se entre as paredes o eco das vozes de invisíveis habitantes.
Mãos de sombras femininas abrem de leve janelas no oitão.

 Há um cheiro de jasmins e resedás
que não vem dos jardins abandonados,
mas dos cabelos dos fantasmas das moças de outrora.

1. Observe a primeira estrofe do poema. Identifique e transcreva os adjetivos que caracterizam o substantivo rua.

2. Reescreva a primeira estrofe, trocando o substantivo rua por viaduto. Faça as alterações necessárias.

3. Reescreva os versos abaixo, fazendo as alterações propostas.

a. Ó velhos chalés de 1830. (Troque chalés por casas)

b. Tropeço nos passos perdidos há muito nestas areias. (Troque areias por caminhos)

Texto 2
Cuitelinho

Renato Teixeira

Cheguei na beira do porto
 Onde as onda se espaia
As garça dá meia volta E senta na beira da praia
E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia,ai,ai
Ai quando eu vim
 da minha terra
Despedi da parentália
 Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaias
 Lá tinha revolução
Enfrentei fortes batáia,ai, ai
A tua saudade corta
Como aço de naváia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
E os óio se enche d´água
 Que até a vista se atrapáia, ai...

A canção “Cuitelinho” faz parte do nosso folclore e, portanto, como toda autêntica canção folclórica não tem um autor conhecido.  Paulo Vanzolini foi  quem a recolheu da boca do povo. Ficou famosa por ser gravada por Milton Nascimento, Pena Branca e Xavantinho e imortalizada, principalmente, na voz de Nara Leão.
"Cuitelinho” é nome que se dá ao beija-flor em algumas partes do centro-sul do Brasil.
A língua não é usada de modo homogêneo por todos os seus falantes. O uso de uma língua varia de época para época, de região para região, de classe social para classe social, e assim por diante. Portanto, além do português padrão, há outras variedades de usos da língua.
1. A variedade linguística empregada no texto é caracterizada pelo registro, na escrita, de formas típicas da linguagem oral.
a. Identifique no texto palavras ou expressões que tenham sido escritas exatamente como se fala.
b. Algumas palavras recebem grafia diferente da que é escrita pela norma-padrão. Identifique no texto palavras em que ocorrem a vocalização do -lh. (Exemplo: naváia ao invés de navalha)
2. Observe os versos abaixo:
"Cheguei na beira do porto Onde as onda se espaia As garça dá meia volta."
a. De acordo com a norma-padrão, a concordância nominal se dá entre o substantivo e seus determinantes em gênero (masculino/feminino) e em número (singular / plural). Nos versos acima, houve desvio da concordância nominal? Transcreva-os.
b. Esse desvio de concordância se dá em relação ao número (singular/plural) ou ao gênero (masculino / feminino)? Exemplifique.
3. Observe que a marca de plural aparece no primeiro elemento:
"Onde as onda se espaia As garça dá meia volta"
a. Isso é suficiente para pluralizar a ideia? Explique.
4. Essas situações e outras do texto demonstram que o autor, intencionalmente, fez uso de uma variante linguística para identificar o falar específico e um determinado grupo social. Comente.
5. Responda:
O desvio da norma-padrão, no que diz respeito à concordância nominal, pode ser um recurso expressivo para caracterizar o grupo social ao qual pertence o eu-lírico, o narrador ou uma personage

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Texto de Cordel



EMEF Prof Fernando Pantaleão

Atividade de Leitura e Interpretação textual – 7º Ano – 3º Bimestre /2017

1) Leia os títulos de literatura de cordel e agrupe-os de acordo com os temas a seguir.
“Os cabras de Lampião”, “A morte de Chico Mendes deixou triste a natureza”, “Brasileiro alienado” , “Confissão de caboclo”“A chegada de Lampião no Inferno”,“As aventuras de Lulu na capital de São Paulo”,“A moça que foi enterrada viva”, , “A religião, a Inquisição e a prostituição”,  “A discussão de Pelé com Maradona”, “A verdadeira história do monstruoso acidente ocorrido em Currais Novos”,  “Terror nas torres gêmeas” “O luar do sertão e a varanda do casarão”, “Um mosquito, o descaso e a dengue” ,“Os Beatles”.

a)     Aventuras, proezas e causos maravilhosos
b)    Crítica social]
c)     Pessoas famosas
d)    Universo sertanejo
e)     Acontecimentos e notícias

Agora, leia o poema em voz alta, prestando atenção em seu ritmo.


Lampião & Lancelote (Fernando Vilela)

Agora eu lhes apresento
Um grande cangaceiro
Nascido em nosso país
Leal e bom companheiro
Para uns foi criminoso
Para outros justiceiro

 Criado nas terras secas
Vaqueiro trabalhador
Cuidava de um ralo gado
Com coragem e com valor
Seu nome era Virgulino
Mas um dia veio a dor

Ao ver seu pai baleado
Ele partiu pra vingança
À frente dos cangaceiros
Se pôs logo em liderança
Bando de cabras armados
Ao inimigo com ganância!

Cajarana Jurity
Caixa de Foço Corisco
Quinta-Feira Ponto Fino
Homens sem temor de risco
Volta-Seca Mergulhão
Luiz Pedro o mais arisco

Para um homem uma mulher
Português e sua Cristina
Dadá Maria Pancada
Inácia Maria Jovina
Lampião com sua Maria
Bonita fiel divina

Com este bando temido
Atirava igual canhão
Com seu rifle poderoso
Tornava a noite um clarão
Por isso todo orgulhoso
Se chamou de Lampião

Montado no seu jumento
Cruzava todo o sertão
Leitor agora eu lhe falo
Preste muita atenção
Este homem foi guerreiro
Que inventou rebelião

Invoco este personagem
De nosso seco Nordeste
Desça logo neste livro
Venha cá Cabra da Peste
Mostre o que tem de melhor
Vem chegando e desembeste.

2)  Da primeira estrofe, retire versos que revelem:

a) a opinião que o eu lírico tem de Lampião.
b) a opinião que outros têm do mesmo personagem.

3)  Retire do poema versos que contam sobre quem era Virgulino antes de se tornar Lampião.

4) O que motivou Virgulino a entrar para um bando de cangaceiros? Justifique sua resposta com versos do poema.

5) Quais estrofes revelam:

a) os integrantes do bando de Lampião?
b) a entrada de mulheres no bando?

6) Na última estrofe, quem o eu lírico invoca?

7) As rimas acontecem entre quais versos?

8) Que características do cordel você observa no texto lido?

9) Nesse cordel, notamos que também há uma invocação, uma chamada ao leitor, estratégia comum desse gênero. Transcreva o(s) verso(s) em que isso acontece.

10) Quais eram os integrantes do bando de Lampião? Como eles são referidos no poema?

11) Quem foi a amada de Lampião? Ela é mencionada no poema? Se sim, em que verso(s)?




Atividade adaptada do "Caderno de Apoio e Aprendizagem" da Prefeitura de São Paulo , 2012.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Livros são Janelas


Vi um livro no lixo e arrepiei-me pensando, que há livros que nascem mortos. Pode-se viver sem ler?
Quem não lê não entra no rio da história e quem lê é como o mar onde desaguam muitos rios.Comprar um livro é sempre como a primeira vez, como quem marca um encontro para receber uma confidência. Uma casa sem livros está desabitada, é uma pensão...
Os livros são janelas. Hoje vou abrir uma delas.


   (Padre) Vasco Pinto de Magalhães, in "Não há soluções,Há caminhos."
    Fonte: www.citador.pt/textos/a/vasco-pinto-de-magalhaes
    Imagem :https://pixabay.com/pt/livro-m%C3%A3os-refletindo-bella-1421098/



quarta-feira, 26 de julho de 2017

Análise Textual

 EMEF Prof Fernando Pantaleão                                          
 Leitura e Interpretação  - 6 º Ano - 3ºBimestre / 2017






                                   Bob, um gato fora do normal

Há uma citação famosa que diz que recebemos uma segunda chance todos os dias, mas geralmente não a aproveitamos. Passei grande parte de minha existência provando que isso é verdade. Mas tudo mudou no começo da primavera de 2007, quando me tornei amigo de um gato, o Bob.
Conheci Bob numa noite sombria. Era uma quinta-feira de março. Havia previsão de geada, por isso cheguei em casa, no norte de Londres, um pouco mais cedo do que de costume, após mais um dia nas ruas movimentadas de Covent Garden.
O elevador do meu prédio não estava funcionando, então minha amiga Belle e eu seguimos em direção à escada. A lâmpada estava quebrada, e o hall de entrada, escuro como breu, mas não pude deixar de notar um par de olhos reluzindo na escuridão. Um gato laranja estava enrolado sobre um capacho, do lado de fora de um dos apartamentos do térreo. Era um macho.
Ele me encarou com um olhar inteligente. “Então, quem é você e o que faz aqui?”, parecia perguntar.
Eu me ajoelhei.
— Olá, companheiro. Nunca te vi antes. Você mora aqui?
Ele continuou me encarando, me analisando. Fiz carinho no seu pescoço, em parte para ficar amigo dele e, por outro lado, para saber se usava coleira. Não usava.
Ele adorou a atenção. Seu pelo era desigual, havia falhas em alguns lugares, e ele estava visivelmente faminto. Pelo modo como encostou em mim, pude perceber que precisava de um amigo.
— Acho que é um gato de rua — eu disse a Belle.
Belle sabia que eu adorava gatos.
— Você não pode ficar com ele, James — ela me advertiu, apontando para o capacho onde o gato estava sentado. — Provavelmente ele pertença a alguém aqui do prédio.
Ela estava certa. A última coisa de que eu precisava naquele momento da minha vida era de um gato. Já estava bem difícil tomar conta de mim mesmo.
Na manhã seguinte, o gato ainda estava lá. Fiz novamente um carinho nele, que ronronou, agradecendo a atenção.
Com a luz do dia, pude perceber que era um animal lindo. Tinha um rosto impressionante, com penetrantes olhos verdes. A julgar pelos arranhões em suas patas e no focinho, devia ter-se envolvido em alguma briga ou acidente. Seu pelo era ralo e espetado, havia buracos em vários lugares. Fiquei realmente preocupado com o bichano.
Pare de se preocupar com o gato; em vez disso, preocupe-se com você mesmo, pensei. Contrariado, me afastei e fui pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaria ganhar alguns trocados me apresentando na rua.
Ao voltar para casa, já era tarde — quase dez horas. Desci apressado pelo corredor para ver se encontrava o tal gato laranja, mas ele havia ido embora. Parte de mim ficou desapontada, porém, mais do que tudo, fiquei aliviado.
No dia seguinte, meu coração deu um pulo ao vê-lo novamente, no mesmo lugar. Ele estava mais fraco e mais desgrenhado que nunca. Parecia faminto e com frio, pois estava tremendo.
Talvez estivesse na hora de Bob encontrar um novo dono. Talvez ele tenha encontrado em mim sua alma gêmea.
Foi, então, que tomei uma decisão ali mesmo.
— Vem comigo! — exclamei.
Senti algo muito bom por ele estar ali no meu apartamento. Eu tinha agora uma companhia.

(Extraído e adaptado de BOWEN, James. Bob: um gato fora do normal. Ribeirão Preto: Conceito Ed.,2014)

01 - Considerando o texto 1, não se pode afirmar que se trata

(A) da carência de um jovem que precisa de cuidados.  (B) das chances que podemos receber da vida.
(C) do encontro de um jovem e de um gato perdido.      (D) dos maus-tratos sofridos por animais de rua.
(E) do afeto entre pessoas e animais.

02- Enumere as frases abaixo de acordo com a ordem em que os fatos aparecem no texto. Depois, escolha a alternativa que corresponda à resposta correta.
(      ) James e Belle viram, pela primeira vez, o gato laranja porque precisaram usar a escada do prédio.
(      ) James ficou desapontado, mas, principalmente, aliviado quando não encontrou o gato laranja no corredor.
(      ) A previsão de mau tempo levou James a voltar para casa mais cedo do que de costume.
(      ) O rapaz fez carinho no pescoço do animal para ficar seu amigo e, também, para saber se usava coleira.
(      ) A companhia do gato, em seu apartamento, provocou em James uma sensação boa.

(A) 2 – 4 – 1 – 3 – 5          (B) 3 – 1 – 4 – 5 – 2    (C) 1 – 3 – 5 – 2 – 4          (D) 2 – 4 – 3 – 1 – 5    ( E) 3 – 4 – 2 – 1 – 5

03- Analise os trechos sublinhados das frases abaixo e marque (F) se indicar um FATO ou (O) uma OPINIÃO sobre determinado fato. Depois, escolha a alternativa que corresponda à resposta correta.

(     ) “Ele me encarou com um olhar inteligente.”
(     ) “Na manhã seguinte, o gato ainda estava lá.”
(     ) “Desci apressado pelo corredor para ver se encontrava o tal gato laranja, mas ele havia ido embora.”
(     ) “Senti algo muito bom por ele estar ali no meu apartamento.”
(     ) “Eu tinha agora uma companhia.”


(A) F – F – O – O – F             (B) O – F – O – F – O           
(C) O – F – F – O – F              (D)  O – O – F – F – O     
 (E) F – O – O – F – F

04- Se o narrador da história fosse Belle, a frase “Contrariado, me afastei e fui pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaria ganhar alguns trocados me apresentando na rua” poderia ser reescrita, mantendo a coerência, como:

(A) Contrariado, se afastou e foi pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaria ganhar alguns trocados me apresentando na rua.
(B) Contrariada, me afastei e fui pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaria ganhar alguns trocados me apresentando na rua.
(C) Contrariado, se afastou e foi pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaria ganhar alguns trocados se apresentando na rua.
(D) Contrariados, nos afastamos e fomos pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaríamos ganhar alguns trocados nos apresentando na rua.
(E) Contrariada, se afastei e foi pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaria ganhar alguns trocados se apresentando na rua.

05 - Em “Passei grande parte de minha existência provando que isso é verdade“, o pronome isso se refere
(A) à imensa sorte de recebermos chances todos os dias da nossa vida sem valorizarmos essa excelente oportunidade.
(B) às chances perdidas no decorrer das nossas vidas.
(C) à ideia de recebermos uma segunda chance todos os dias, e, de modo geral, não a aproveitarmos.
(D) à prova de que uma segunda chance deve ser aproveitada.
(E) à amizade entre James e Bob.

06 - Em “Conheci Bob numa noite sombria. Era uma quinta-feira de março. Havia previsão de geada, por isso cheguei em casa, no norte de Londres, um pouco mais cedo do que de costume, após mais um dia nas ruas movimentadas de Covent Garden”, os termos em negrito podem ser substituídos, sem mudar o sentido do texto, respectivamente, por:

(A) escura - habitualmente          (B) fria – usualmente         (C) triste – sempre            D) cinzenta - ontem                      (E) desanimadora - diariamente

07- A partir da leitura do texto e da passagem “… tentaria ganhar alguns trocados me apresentando na rua”, pode-se entender que James

A) se distrai com as suas apresentações pelas ruas do distrito de Convent Garden.
B) vai para as ruas para alegrar as pessoas que transitam por elas.
C) faz apresentações pelas ruas do distrito para se tornar um artista.
D) tem uma ONG que protege animais de rua.
E) se apresenta nas ruas porque precisa ganhar dinheiro.

História de uma gata

Chico Buarque, Sergio Bardotti, Luis Bacalov

Me alimentaram
Me acariciaram
Me aliciaram
Me acostumaram

O meu mundo era o apartamento
Detefon, almofada e trato
Todo dia filé-mignon
Ou mesmo um bom filé... de gato
Me diziam a todo momento
Fique em casa, não tome vento!
Mas é duro ficar na sua
Quando à luz da lua
Tantos gatos pela rua
Toda a noite vão cantando assim

Nós, gatos, já nascemos pobres
 Porém já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás

De manhã eu voltei pra casa
Fui barrada na portaria
Sem filé e sem almofada
Por causa da cantoria
Mas agora o meu dia a dia
É no meio da gataria
Pela rua virando lata
Eu sou mais eu, mais gata
Numa louca serenata
Que de noite sai cantando assim

Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém já nascemos livres Senhor,
senhora ou senhorio Felino, não reconhecerás













Versão adaptada (www.vagalume.com.br/chico-buarque/historia-de-uma-gata.html)

Vocabulário:

1. aliciaram (linha 03) - atraíram, seduziram, subornaram.
2. Detefon (linha 06) - inseticida contra moscas, mosquitos, baratas, pulgas, traças, etc.
3. senhorio (linhas 17 e 31) - proprietário de apartamento, condomínio, casa, terra ou bens mobiliários.

08 - No trecho “Mas é duro ficar na sua/Quando à luz da lua/Tantos gatos pela rua” (linhas 11 a 13), pode-se imaginar que a gata deseje

A) ficar em casa.              
B) sair para as ruas
C)admirar a lua.                       
D) comer um bom filé.
E) esperar o seu dono.

09 - Considerando o sentido geral do texto 2, pode-se afirmar que

A) a condição para os gatos serem felizes é a liberdade.
B) Detefon, almofada e trato é tudo o que os gatos desejam.
C) os gatos circulam entre apartamentos e ruas livremente.
D) os gatos se mostram ingratos com seus donos.
E) gatos rebeldes ficam sem filé e almofada.

10 - No trecho “Mas agora o meu dia a dia/É no meio da gataria/Pela rua virando lata/Eu sou mais eu, mais gata” (linhas 23 a 26), o estado de espírito da gata pode ser resumido pelos termos

A) convencida e arrogante.      
B) livre e feliz.
C  irônica e divertida.                  
D) frustrada e infeliz.
E ) independente e bonita.

11- Em qual alternativa abaixo não foi sublinhada uma palavra que indica qualidade?

A) “Ou mesmo um bom filé… de gato” (linha 08)
 B) “Nós, gatos, já nascemos pobres” (linhas 15 e 29)
C) “Porém já nascemos livres” (linhas 16 e 30)
D) “Numa louca serenata” (linha 27)
E) “É no meio da gataria” (linha 24)

12 - Assinale a única frase em que o verbo apresenta noção de tempo presente.

A) “Me alimentaram” (linha 01)
B) “O meu mundo era o apartamento” (linha 05)
C) “Me diziam a todo momento” (linha 09)
D) “De manhã eu voltei pra casa” (linha 19)
E) “Mas agora o meu dia a dia é no meio da gataria” (linha 23-24)

13- Observe:
“Eu sou mais eu, mais gata  / Numa louca serenata” (l. 26-27)

A alternativa que apresenta palavra com sentido equivalente ao do termo destacado é:

A)maluca    
B)estranha   
C)desastrada
D)absurda   
E) esquisita

14-Ao comparar o texto 1 e o texto 2, pode-se afirmar que


A) contam a história de gatos abandonados.
B) contam a história de gatos que nascem pobres e se tornam ricos.
C) contam a história de reencontros entre gatos e seus donos.
D) o texto 1 conta a história de um gato sem lar; o texto 2, de uma gata que busca sua liberdade.
E) o texto 1 conta a história de um animal infeliz; o texto 2, de uma gata feliz que tem tudo o que deseja.




sábado, 15 de julho de 2017

Leitura e Análise Textual


EMEF Prof Fernando Pantaleão

Língua Portuguesa – Leitura e Análise Textual – 7os. Anos – 3º Bimestre /2017

A Doida

(Carlos Drummond de Andrade)

            A doida habitava um chalé no centro do jardim maltratado. E a rua descia para o córrego, onde os meninos costumavam banhar-se. [...]
            Os três garotos desceram manhã cedo, para o banho e a pega de passarinho. Só com essa intenção. Mas era bom passar pela casa da doida e provocá-la. As mães diziam o  contrário: que era horroroso, poucos pecados seriam maiores. Dos doidos devemos ter piedade, porque eles não gozam dos benefícios com que nós, os sãos, fomos aquinhoados.
            Não explicavam bem quais fossem esses benefícios, ou explicavam demais, e restava a impressão de que eram todos privilégios de gente adulta, como fazer visitas, receber cartas, entrar para irmandades. E isso não comovia ninguém. A loucura parecia antes erro do que miséria. E os três sentiam-se inclinados a lapidar a doida, isolada e agreste no seu jardim.
            Como era mesmo a cara da doida, poucos poderiam dizê-lo. Não aparecia de frente e de corpo inteiro, como as outras pessoas, conversando na calma. Só o busto, recortado numa das janelas da frente, as mãos magras, ameaçando. Os cabelos, brancos e desgrenhados. E a boca inflamada, soltando xingamentos, pragas, numa voz rouca. Eram palavras da Bíblia misturadas a termos populares, dos quais alguns pareciam escabrosos, e todos fortíssimos na sua cólera.
            Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às outras no seu tempo remoto (contava mais de sessenta anos, e, loucura e idade, juntas, lhe lavravam o corpo). Corria, com variantes, a história de que fora noiva de um fazendeiro, e o casamento, uma festa estrondosa; mas na própria noite de núpcias o homem a repudiara, Deus sabe por que razão. O marido ergueu-se terrível e empurrou-a, no calor do bate-boca; ela rolou escada abaixo, foi quebrando ossos, arrebentando-se. Os dois nunca mais se viram. [...]
            Repudiada por todos, ela se fechou naquele chalé do caminho do córrego, e acabou perdendo o juízo. Perdera antes todas as relações. Ninguém tinha ânimo de visitá-la. O padeiro mal jogava o pão na caixa de madeira, à entrada, e eclipsava-se. Diziam que nessa caixa uns primos generosos mandavam pôr, à noite, provisões e roupas, embora oficialmente a ruptura com a família se mantivesse inalterável. [...]
            Vinte anos de tal existência, e a legenda está feita. Quarenta, e não há mudá-la. O sentimento de que a doida carregava uma culpa, que sua própria doidice era uma falta grave, uma coisa aberrante, instalou-se no espírito das crianças. E assim, gerações sucessivas de moleques passavam pela porta, fixavam cuidadosamente a vidraça e lascavam uma pedra. [...]
            Os três verificaram que quase não dava mais gosto apedrejar a casa. As vidraças partidas não se recompunham mais. A pedra batia no caixilho ou ia aninhar-se lá dentro, para voltar com palavras iradas. Ainda haveria louça por destruir, espelho, vaso intato? Em todo caso, o mais velho comandou, e os outros obedeceram na forma do sagrado costume. Pegaram calhaus lisos, de ferro, tomaram posição. Cada um jogaria por sua vez, com intervalos para observar o resultado. O chefe reservou-se um objetivo ambicioso: a chaminé.
            O projétil bateu no canudo de folha de flandres enegrecido – blem – e veio espatifar uma telha, com estrondo. Um bem-te-vi assustado fugiu da mangueira próxima. A doida, porém, parecia não ter percebido a agressão, a casa não reagia. Então o do meio vibrou um golpe na primeira janela. Bam! Tinha atingido uma lata, e a onda de som propagou-se lá dentro; o menino sentiu-se recompensado. Esperaram um pouco, para ouvir os gritos [...] era tudo a mesma paz.
            Aí o terceiro do grupo, em seus onze anos, sentiu-se cheio de coragem e resolveu invadir o jardim. Não só podia atirar mais de perto na outra janela, como até praticar outras e maiores façanhas. Os companheiros, desapontados com a falta do espetáculo cotidiano, não queriam segui-lo. E o chefe, fazendo valer sua autoridade, tinha pressa em chegar ao campo.
            O garoto empurrou o portão: abriu-se. Então, não vivia trancado?... E ninguém ainda fizera a experiência. Era o primeiro a penetrar no jardim, e pisava firme, posto que cauteloso. Os amigos chamavam-no, impacientes. Mas entrar em terreno proibido é tão excitante que o apelo perdia toda a significação. Pisar um chão pela primeira vez; e chão inimigo. Curioso como o jardim se parecia com qualquer um; apenas era mais selvagem, e o melão-de-são-caetano se enredava entre as violetas, as roseiras pediam poda, o canteiro de cravinas afogava-se em erva. Lá estava, quentando sol, a mesma lagartixa de todos os jardins, cabecinha móbil e suspicaz. O menino pensou primeiro em matar a lagartixa e depois em atacar a janela. [...]
            A lagartixa salvara-se, metida em recantos só dela sabidos, e o garoto galgou os dois degraus, empurrou a cancela, entrou. Tinha a pedra na mão, mas já não era necessária; jogou-a fora. Tudo tão fácil, que até ia perdendo o senso da precaução [...].
            A princípio não distinguiu bem, debruçado à janela, a matéria confusa do interior. Os olhos estavam cheios de claridade, mas afinal se acomodaram, e viu a sala, completamente vazia e esburacada, com um corredorzinho no fundo, e no fundo do corredorzinho uma caçarola no chão, e a pedra que o companheiro jogara.
            Passou a outra janela e viu o mesmo abandono, a mesma nudez. Mas aquele quarto dava para outro cômodo, com a porta cerrada. Atrás da porta devia pois estar a doida, que inexplicavelmente não se mexia, para enfrentar o inimigo. E o menino saltou o peitoril, pisou indagador no soalho gretado, que cedia.
            A porta dos fundos cedeu igualmente à pressão leve, entreabrindo-se numa faixa estreita que mal dava passagem a um corpo magro. [...]
            O menino foi abrindo caminho entre pernas e braços de móveis, contorna aqui, esbarra mais adiante. O quarto era pequeno e cabia tanta coisa.
            Atrás da massa do piano, encurralada a um canto, estava à cama. E nela, busto soerguido, a doida esticava o rosto para frente, na investigação do rumor insólito.
            Não adiantava ao menino querer fugir ou esconder-se. E ele estava determinado a conhecer tudo daquela casa. De resto, a doida não deu nenhum sinal de guerra. Apenas levantou as mãos à altura dos olhos, como protegê-los de uma pedrada.
            Ele encarava-a com interesse. Era simplesmente uma velha, jogada no catre preto de solteiro, atrás da barricada de móveis. E que pequenininha! O corpo sob a coberta formava uma elevação minúscula. Miúda, escura, desse sujo que o tempo deposita na pele, manchando-a. E parecia ter medo.
            Mas os dedos desceram um pouco, e os pequenos olhos amarelados encararam por sua vez o intruso com atenção voraz, desceram às suas mãos vazias, tornaram a subir ao rosto infantil.
            A criança sorriu, de desaponto, sem saber o que fizesse.
            Então a doida ergueu-se um pouco mais, firmando-se nos cotovelos. A boca remexeu, deixou passar um som vago e tímido.
            Como a criança não se movesse, o som indistinto se esboçou outra vez.
            Ele teve a impressão de que não era xingamento, parecia antes um chamado. Sentiu-se atraído para a doida, e todo desejo de maltratá-la se dissipou. Era um apelo, sim, e os dedos, movendo-se canhestramente, o confirmavam.
            O menino aproximou-se, e o mesmo jeito da boca insistia em soltar a mesma palavra curta, que, entretanto não tomava forma. Ou seria um bater automático de queixo, produzindo um som sem qualquer significação?
            Talvez pedisse água. A moringa estava no criado-mudo, entre vidros e papéis. Ele encheu o copo pela metade, estendeu-o. A doida parecia aprovar com a cabeça, e suas mãos queriam segurar sozinhas, mas foi preciso que o menino a ajudasse a beber. Fazia tudo naturalmente, e nem conservava qualquer espécie de aversão pela doida. A própria ideia de doida desaparecera. Havia no quarto uma velha com sede, e que talvez estivesse morrendo.
            Nunca  vira ninguém morrer, os pais o afastavam se havia em casa um agonizante. Mas deve ser assim que as pessoas morrem.
            Um sentimento de responsabilidade apoderou-se dele. Desajeitadamente, procurou fazer com que a cabeça repousasse sobre o travesseiro. Os músculos rígidos da mulher não o ajudavam. Teve que abraçar-lhe os ombros – com repugnância – e conseguiu, afinal, deitá-la em posição suave.
            Mas a boca deixava passar ainda o mesmo ruído obscuro, que fazia crescer as veias do pescoço, inutilmente. Água não podia ser, talvez remédio...
            Passou-lhe um a um, diante dos olhos, os frasquinhos do criado-mudo. Sem receber qualquer sinal de aquiescência. Ficou perplexo, irresoluto. Seria caso talvez de chamar alguém, avisar o farmacêutico mais próximo, ou ir à procura do médico, que morava longe. Mas hesitava em deixar a mulher sozinha na casa aberta e exposta a pedradas. E tinha medo de que ela morresse em completo abandono, como ninguém no mundo deve morrer [...].
            Foi tropeçando nos móveis, arrastou com esforço o pesado armário da janela, desembaraçou a cortina, e a luz invadiu o depósito onde a mulher morria. Com o ar fino veio uma decisão. Não deixaria a mulher para chamar ninguém. Sabia que não poderia fazer nada para ajudá-la, a não ser sentar-se à beira da cama, pegar-lhe nas mãos e esperar o que ia acontecer.

Vocabulário

Aberrante: o que se afasta do que é considerado normal ;  Galgar: subir, transpor, saltar; Aquiescência: concordância, consentimento Gretado: rachado;  Aquinhoado: favorecido, contemplado ; Insólito: incomum, anormal, raro ; Caçarola: um tipo de panela;  Irresoluto: indeciso ;Calhau: pedaço, fragmento ;Lapidar: apedrejar, atacar ou matar com  pedras ;Canhestramente: desajeitado, tímido ;Projétil: qualquer corpo que pode ser  lançado ;Catre: cama rústica e pobre ;Repudiar: rejeitar, abandonar ;Cólera: raiva intensa, ira, furor ;Repugnância: nojo, repulsa, asco ;Desgrenhado: sem pentear, desalinhado ;Soerguer: erguer-se um pouco, levantar-se ;Dissipar: desaparecer, dispersar ;Suspicaz: suspeito, estranho ;Eclipsar-se: desaparecer, afastar-se ;Voraz: faminto, ávido

ESTUDO DO TEXTO

1. Na cidade, havia uma “doida”.

a) As pessoas conheciam bem essa mulher e o seu passado?

b) Entre os trechos a seguir, indique aqueles que confirmam sua resposta.
(  ) “Como era mesmo a cara da doida, poucos poderiam dizê-lo.”
(  ) “Mas era bom passar pela casa da doida e provoca-la.”
(  ) “Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às outras.”
(  ) “Corria, com variantes, a história de que fora noiva.”

2. O texto aponta uma causa para a suposta loucura da mulher. De acordo com a versão apresentada no texto:

a) Que fato poderia ser responsável pelo enlouquecimento da mulher?

b) Que comportamento dela eram tomados pela população como indícios de loucura?

c) Na sua opinião, essa mulher era realmente doida?

3. As crianças cresciam ouvindo histórias sobre “a doida”.

a) De acordo com o quinto parágrafo, o que as motivava a atirar pedras na casa da mulher?

b) As mães concordavam com o comportamento dos filhos? Por quê?

4. O texto narra a aventura de três meninos que resolvem se divertir atirando pedras na casa da “doida”.

a) Inicialmente, eles pretendiam entrar na casa da mulher?

b) A cada pedra que atiravam, o que despertava a curiosidade e a coragem deles?

5. Observe as palavras e expressões destacadas nestes trechos do texto:

· “resolveu invadir o jardim” ;  · “tinha pressa em chegar ao campo” ; · “entrar em terreno proibido” ; · “Pisar um chão pela primeira vez; e chão inimigo” ; · “a doida não deu nenhum sinal de guerra”  ; · “atrás da barricada de móveis” .

a) A escolha dessas palavras e expressões mostra que o narrador procurou criar um cenário aonde vai se dar o encontro das duas personagens. Que tipo de cenário é esse?

b) Quem, na verdade, vê a casa como se fosse um cenário desse tipo?

6. O narrador descreve com detalhes o jardim e o interior da casa.

a) Como eram esses dois espaços? Justifique sua resposta com palavras do texto.

b) O menino se surpreende ao ver que o jardim está abandonado. Qual a razão?

c) Mais tarde, ele vai compreender por que o jardim está abandonado. Qual a razão?

7. O menino encontra a “doida” num quarto entulhado de móveis, que formavam uma “barricada” em torno da cama.

a) Levante hipóteses: Por que a mulher teria escolhido esse quarto para se refugiar?

b) O que a palavra barricada sugere quanto ao modo como a mulher se sentia?

c) Portanto, ela também se sentia em guerra?

8. O encontro do menino e da mulher surpreendeu os dois.

a) Qual foi a reação dela ao ver o menino? Por quê?

b) Por que o menino se surpreendeu?

c) Que sentimento brotou espontaneamente no menino ao ver a condição da velhinha?

9. A experiência vivida pelo menino assume um significado especial no texto, pois revela um lado de sua personalidade que ele próprio desconhecia.

a) Qual é esse lado?

b) Inicialmente o menino abraçou a velhinha com repugnância para ajuda-la a deitar-se; entretanto, no final do texto, mostra-se disposto a pegar as mãos dela espontaneamente. O que essa mudança de atitude do garoto demonstra?

c) Com essa experiência, você acha que o menino “cresceu”? Por quê?


10. O texto lido aborda vários temas, entre os quais a maldade infantil, o casamento tradicional, a família, a loucura, a velhice, a solidão. Que reflexões ele provoca sobre o relacionamento das pessoas com o “outro”?