segunda-feira, 31 de julho de 2017

Livros são Janelas


Vi um livro no lixo e arrepiei-me pensando, que há livros que nascem mortos. Pode-se viver sem ler?
Quem não lê não entra no rio da história e quem lê é como o mar onde desaguam muitos rios.Comprar um livro é sempre como a primeira vez, como quem marca um encontro para receber uma confidência. Uma casa sem livros está desabitada, é uma pensão...
Os livros são janelas. Hoje vou abrir uma delas.


   (Padre) Vasco Pinto de Magalhães, in "Não há soluções,Há caminhos."
    Fonte: www.citador.pt/textos/a/vasco-pinto-de-magalhaes
    Imagem :https://pixabay.com/pt/livro-m%C3%A3os-refletindo-bella-1421098/



quarta-feira, 26 de julho de 2017

Análise Textual

 EMEF Prof Fernando Pantaleão                                          
 Leitura e Interpretação  - 6 º Ano - 3ºBimestre / 2017






                                   Bob, um gato fora do normal

Há uma citação famosa que diz que recebemos uma segunda chance todos os dias, mas geralmente não a aproveitamos. Passei grande parte de minha existência provando que isso é verdade. Mas tudo mudou no começo da primavera de 2007, quando me tornei amigo de um gato, o Bob.
Conheci Bob numa noite sombria. Era uma quinta-feira de março. Havia previsão de geada, por isso cheguei em casa, no norte de Londres, um pouco mais cedo do que de costume, após mais um dia nas ruas movimentadas de Covent Garden.
O elevador do meu prédio não estava funcionando, então minha amiga Belle e eu seguimos em direção à escada. A lâmpada estava quebrada, e o hall de entrada, escuro como breu, mas não pude deixar de notar um par de olhos reluzindo na escuridão. Um gato laranja estava enrolado sobre um capacho, do lado de fora de um dos apartamentos do térreo. Era um macho.
Ele me encarou com um olhar inteligente. “Então, quem é você e o que faz aqui?”, parecia perguntar.
Eu me ajoelhei.
— Olá, companheiro. Nunca te vi antes. Você mora aqui?
Ele continuou me encarando, me analisando. Fiz carinho no seu pescoço, em parte para ficar amigo dele e, por outro lado, para saber se usava coleira. Não usava.
Ele adorou a atenção. Seu pelo era desigual, havia falhas em alguns lugares, e ele estava visivelmente faminto. Pelo modo como encostou em mim, pude perceber que precisava de um amigo.
— Acho que é um gato de rua — eu disse a Belle.
Belle sabia que eu adorava gatos.
— Você não pode ficar com ele, James — ela me advertiu, apontando para o capacho onde o gato estava sentado. — Provavelmente ele pertença a alguém aqui do prédio.
Ela estava certa. A última coisa de que eu precisava naquele momento da minha vida era de um gato. Já estava bem difícil tomar conta de mim mesmo.
Na manhã seguinte, o gato ainda estava lá. Fiz novamente um carinho nele, que ronronou, agradecendo a atenção.
Com a luz do dia, pude perceber que era um animal lindo. Tinha um rosto impressionante, com penetrantes olhos verdes. A julgar pelos arranhões em suas patas e no focinho, devia ter-se envolvido em alguma briga ou acidente. Seu pelo era ralo e espetado, havia buracos em vários lugares. Fiquei realmente preocupado com o bichano.
Pare de se preocupar com o gato; em vez disso, preocupe-se com você mesmo, pensei. Contrariado, me afastei e fui pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaria ganhar alguns trocados me apresentando na rua.
Ao voltar para casa, já era tarde — quase dez horas. Desci apressado pelo corredor para ver se encontrava o tal gato laranja, mas ele havia ido embora. Parte de mim ficou desapontada, porém, mais do que tudo, fiquei aliviado.
No dia seguinte, meu coração deu um pulo ao vê-lo novamente, no mesmo lugar. Ele estava mais fraco e mais desgrenhado que nunca. Parecia faminto e com frio, pois estava tremendo.
Talvez estivesse na hora de Bob encontrar um novo dono. Talvez ele tenha encontrado em mim sua alma gêmea.
Foi, então, que tomei uma decisão ali mesmo.
— Vem comigo! — exclamei.
Senti algo muito bom por ele estar ali no meu apartamento. Eu tinha agora uma companhia.

(Extraído e adaptado de BOWEN, James. Bob: um gato fora do normal. Ribeirão Preto: Conceito Ed.,2014)

01 - Considerando o texto 1, não se pode afirmar que se trata

(A) da carência de um jovem que precisa de cuidados.  (B) das chances que podemos receber da vida.
(C) do encontro de um jovem e de um gato perdido.      (D) dos maus-tratos sofridos por animais de rua.
(E) do afeto entre pessoas e animais.

02- Enumere as frases abaixo de acordo com a ordem em que os fatos aparecem no texto. Depois, escolha a alternativa que corresponda à resposta correta.
(      ) James e Belle viram, pela primeira vez, o gato laranja porque precisaram usar a escada do prédio.
(      ) James ficou desapontado, mas, principalmente, aliviado quando não encontrou o gato laranja no corredor.
(      ) A previsão de mau tempo levou James a voltar para casa mais cedo do que de costume.
(      ) O rapaz fez carinho no pescoço do animal para ficar seu amigo e, também, para saber se usava coleira.
(      ) A companhia do gato, em seu apartamento, provocou em James uma sensação boa.

(A) 2 – 4 – 1 – 3 – 5          (B) 3 – 1 – 4 – 5 – 2    (C) 1 – 3 – 5 – 2 – 4          (D) 2 – 4 – 3 – 1 – 5    ( E) 3 – 4 – 2 – 1 – 5

03- Analise os trechos sublinhados das frases abaixo e marque (F) se indicar um FATO ou (O) uma OPINIÃO sobre determinado fato. Depois, escolha a alternativa que corresponda à resposta correta.

(     ) “Ele me encarou com um olhar inteligente.”
(     ) “Na manhã seguinte, o gato ainda estava lá.”
(     ) “Desci apressado pelo corredor para ver se encontrava o tal gato laranja, mas ele havia ido embora.”
(     ) “Senti algo muito bom por ele estar ali no meu apartamento.”
(     ) “Eu tinha agora uma companhia.”


(A) F – F – O – O – F             (B) O – F – O – F – O           
(C) O – F – F – O – F              (D)  O – O – F – F – O     
 (E) F – O – O – F – F

04- Se o narrador da história fosse Belle, a frase “Contrariado, me afastei e fui pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaria ganhar alguns trocados me apresentando na rua” poderia ser reescrita, mantendo a coerência, como:

(A) Contrariado, se afastou e foi pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaria ganhar alguns trocados me apresentando na rua.
(B) Contrariada, me afastei e fui pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaria ganhar alguns trocados me apresentando na rua.
(C) Contrariado, se afastou e foi pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaria ganhar alguns trocados se apresentando na rua.
(D) Contrariados, nos afastamos e fomos pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaríamos ganhar alguns trocados nos apresentando na rua.
(E) Contrariada, se afastei e foi pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaria ganhar alguns trocados se apresentando na rua.

05 - Em “Passei grande parte de minha existência provando que isso é verdade“, o pronome isso se refere
(A) à imensa sorte de recebermos chances todos os dias da nossa vida sem valorizarmos essa excelente oportunidade.
(B) às chances perdidas no decorrer das nossas vidas.
(C) à ideia de recebermos uma segunda chance todos os dias, e, de modo geral, não a aproveitarmos.
(D) à prova de que uma segunda chance deve ser aproveitada.
(E) à amizade entre James e Bob.

06 - Em “Conheci Bob numa noite sombria. Era uma quinta-feira de março. Havia previsão de geada, por isso cheguei em casa, no norte de Londres, um pouco mais cedo do que de costume, após mais um dia nas ruas movimentadas de Covent Garden”, os termos em negrito podem ser substituídos, sem mudar o sentido do texto, respectivamente, por:

(A) escura - habitualmente          (B) fria – usualmente         (C) triste – sempre            D) cinzenta - ontem                      (E) desanimadora - diariamente

07- A partir da leitura do texto e da passagem “… tentaria ganhar alguns trocados me apresentando na rua”, pode-se entender que James

A) se distrai com as suas apresentações pelas ruas do distrito de Convent Garden.
B) vai para as ruas para alegrar as pessoas que transitam por elas.
C) faz apresentações pelas ruas do distrito para se tornar um artista.
D) tem uma ONG que protege animais de rua.
E) se apresenta nas ruas porque precisa ganhar dinheiro.

História de uma gata

Chico Buarque, Sergio Bardotti, Luis Bacalov

Me alimentaram
Me acariciaram
Me aliciaram
Me acostumaram

O meu mundo era o apartamento
Detefon, almofada e trato
Todo dia filé-mignon
Ou mesmo um bom filé... de gato
Me diziam a todo momento
Fique em casa, não tome vento!
Mas é duro ficar na sua
Quando à luz da lua
Tantos gatos pela rua
Toda a noite vão cantando assim

Nós, gatos, já nascemos pobres
 Porém já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás

De manhã eu voltei pra casa
Fui barrada na portaria
Sem filé e sem almofada
Por causa da cantoria
Mas agora o meu dia a dia
É no meio da gataria
Pela rua virando lata
Eu sou mais eu, mais gata
Numa louca serenata
Que de noite sai cantando assim

Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém já nascemos livres Senhor,
senhora ou senhorio Felino, não reconhecerás













Versão adaptada (www.vagalume.com.br/chico-buarque/historia-de-uma-gata.html)

Vocabulário:

1. aliciaram (linha 03) - atraíram, seduziram, subornaram.
2. Detefon (linha 06) - inseticida contra moscas, mosquitos, baratas, pulgas, traças, etc.
3. senhorio (linhas 17 e 31) - proprietário de apartamento, condomínio, casa, terra ou bens mobiliários.

08 - No trecho “Mas é duro ficar na sua/Quando à luz da lua/Tantos gatos pela rua” (linhas 11 a 13), pode-se imaginar que a gata deseje

A) ficar em casa.              
B) sair para as ruas
C)admirar a lua.                       
D) comer um bom filé.
E) esperar o seu dono.

09 - Considerando o sentido geral do texto 2, pode-se afirmar que

A) a condição para os gatos serem felizes é a liberdade.
B) Detefon, almofada e trato é tudo o que os gatos desejam.
C) os gatos circulam entre apartamentos e ruas livremente.
D) os gatos se mostram ingratos com seus donos.
E) gatos rebeldes ficam sem filé e almofada.

10 - No trecho “Mas agora o meu dia a dia/É no meio da gataria/Pela rua virando lata/Eu sou mais eu, mais gata” (linhas 23 a 26), o estado de espírito da gata pode ser resumido pelos termos

A) convencida e arrogante.      
B) livre e feliz.
C  irônica e divertida.                  
D) frustrada e infeliz.
E ) independente e bonita.

11- Em qual alternativa abaixo não foi sublinhada uma palavra que indica qualidade?

A) “Ou mesmo um bom filé… de gato” (linha 08)
 B) “Nós, gatos, já nascemos pobres” (linhas 15 e 29)
C) “Porém já nascemos livres” (linhas 16 e 30)
D) “Numa louca serenata” (linha 27)
E) “É no meio da gataria” (linha 24)

12 - Assinale a única frase em que o verbo apresenta noção de tempo presente.

A) “Me alimentaram” (linha 01)
B) “O meu mundo era o apartamento” (linha 05)
C) “Me diziam a todo momento” (linha 09)
D) “De manhã eu voltei pra casa” (linha 19)
E) “Mas agora o meu dia a dia é no meio da gataria” (linha 23-24)

13- Observe:
“Eu sou mais eu, mais gata  / Numa louca serenata” (l. 26-27)

A alternativa que apresenta palavra com sentido equivalente ao do termo destacado é:

A)maluca    
B)estranha   
C)desastrada
D)absurda   
E) esquisita

14-Ao comparar o texto 1 e o texto 2, pode-se afirmar que


A) contam a história de gatos abandonados.
B) contam a história de gatos que nascem pobres e se tornam ricos.
C) contam a história de reencontros entre gatos e seus donos.
D) o texto 1 conta a história de um gato sem lar; o texto 2, de uma gata que busca sua liberdade.
E) o texto 1 conta a história de um animal infeliz; o texto 2, de uma gata feliz que tem tudo o que deseja.




sábado, 15 de julho de 2017

Leitura e Análise Textual


EMEF Prof Fernando Pantaleão

Língua Portuguesa – Leitura e Análise Textual – 7os. Anos – 3º Bimestre /2017

A Doida

(Carlos Drummond de Andrade)

            A doida habitava um chalé no centro do jardim maltratado. E a rua descia para o córrego, onde os meninos costumavam banhar-se. [...]
            Os três garotos desceram manhã cedo, para o banho e a pega de passarinho. Só com essa intenção. Mas era bom passar pela casa da doida e provocá-la. As mães diziam o  contrário: que era horroroso, poucos pecados seriam maiores. Dos doidos devemos ter piedade, porque eles não gozam dos benefícios com que nós, os sãos, fomos aquinhoados.
            Não explicavam bem quais fossem esses benefícios, ou explicavam demais, e restava a impressão de que eram todos privilégios de gente adulta, como fazer visitas, receber cartas, entrar para irmandades. E isso não comovia ninguém. A loucura parecia antes erro do que miséria. E os três sentiam-se inclinados a lapidar a doida, isolada e agreste no seu jardim.
            Como era mesmo a cara da doida, poucos poderiam dizê-lo. Não aparecia de frente e de corpo inteiro, como as outras pessoas, conversando na calma. Só o busto, recortado numa das janelas da frente, as mãos magras, ameaçando. Os cabelos, brancos e desgrenhados. E a boca inflamada, soltando xingamentos, pragas, numa voz rouca. Eram palavras da Bíblia misturadas a termos populares, dos quais alguns pareciam escabrosos, e todos fortíssimos na sua cólera.
            Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às outras no seu tempo remoto (contava mais de sessenta anos, e, loucura e idade, juntas, lhe lavravam o corpo). Corria, com variantes, a história de que fora noiva de um fazendeiro, e o casamento, uma festa estrondosa; mas na própria noite de núpcias o homem a repudiara, Deus sabe por que razão. O marido ergueu-se terrível e empurrou-a, no calor do bate-boca; ela rolou escada abaixo, foi quebrando ossos, arrebentando-se. Os dois nunca mais se viram. [...]
            Repudiada por todos, ela se fechou naquele chalé do caminho do córrego, e acabou perdendo o juízo. Perdera antes todas as relações. Ninguém tinha ânimo de visitá-la. O padeiro mal jogava o pão na caixa de madeira, à entrada, e eclipsava-se. Diziam que nessa caixa uns primos generosos mandavam pôr, à noite, provisões e roupas, embora oficialmente a ruptura com a família se mantivesse inalterável. [...]
            Vinte anos de tal existência, e a legenda está feita. Quarenta, e não há mudá-la. O sentimento de que a doida carregava uma culpa, que sua própria doidice era uma falta grave, uma coisa aberrante, instalou-se no espírito das crianças. E assim, gerações sucessivas de moleques passavam pela porta, fixavam cuidadosamente a vidraça e lascavam uma pedra. [...]
            Os três verificaram que quase não dava mais gosto apedrejar a casa. As vidraças partidas não se recompunham mais. A pedra batia no caixilho ou ia aninhar-se lá dentro, para voltar com palavras iradas. Ainda haveria louça por destruir, espelho, vaso intato? Em todo caso, o mais velho comandou, e os outros obedeceram na forma do sagrado costume. Pegaram calhaus lisos, de ferro, tomaram posição. Cada um jogaria por sua vez, com intervalos para observar o resultado. O chefe reservou-se um objetivo ambicioso: a chaminé.
            O projétil bateu no canudo de folha de flandres enegrecido – blem – e veio espatifar uma telha, com estrondo. Um bem-te-vi assustado fugiu da mangueira próxima. A doida, porém, parecia não ter percebido a agressão, a casa não reagia. Então o do meio vibrou um golpe na primeira janela. Bam! Tinha atingido uma lata, e a onda de som propagou-se lá dentro; o menino sentiu-se recompensado. Esperaram um pouco, para ouvir os gritos [...] era tudo a mesma paz.
            Aí o terceiro do grupo, em seus onze anos, sentiu-se cheio de coragem e resolveu invadir o jardim. Não só podia atirar mais de perto na outra janela, como até praticar outras e maiores façanhas. Os companheiros, desapontados com a falta do espetáculo cotidiano, não queriam segui-lo. E o chefe, fazendo valer sua autoridade, tinha pressa em chegar ao campo.
            O garoto empurrou o portão: abriu-se. Então, não vivia trancado?... E ninguém ainda fizera a experiência. Era o primeiro a penetrar no jardim, e pisava firme, posto que cauteloso. Os amigos chamavam-no, impacientes. Mas entrar em terreno proibido é tão excitante que o apelo perdia toda a significação. Pisar um chão pela primeira vez; e chão inimigo. Curioso como o jardim se parecia com qualquer um; apenas era mais selvagem, e o melão-de-são-caetano se enredava entre as violetas, as roseiras pediam poda, o canteiro de cravinas afogava-se em erva. Lá estava, quentando sol, a mesma lagartixa de todos os jardins, cabecinha móbil e suspicaz. O menino pensou primeiro em matar a lagartixa e depois em atacar a janela. [...]
            A lagartixa salvara-se, metida em recantos só dela sabidos, e o garoto galgou os dois degraus, empurrou a cancela, entrou. Tinha a pedra na mão, mas já não era necessária; jogou-a fora. Tudo tão fácil, que até ia perdendo o senso da precaução [...].
            A princípio não distinguiu bem, debruçado à janela, a matéria confusa do interior. Os olhos estavam cheios de claridade, mas afinal se acomodaram, e viu a sala, completamente vazia e esburacada, com um corredorzinho no fundo, e no fundo do corredorzinho uma caçarola no chão, e a pedra que o companheiro jogara.
            Passou a outra janela e viu o mesmo abandono, a mesma nudez. Mas aquele quarto dava para outro cômodo, com a porta cerrada. Atrás da porta devia pois estar a doida, que inexplicavelmente não se mexia, para enfrentar o inimigo. E o menino saltou o peitoril, pisou indagador no soalho gretado, que cedia.
            A porta dos fundos cedeu igualmente à pressão leve, entreabrindo-se numa faixa estreita que mal dava passagem a um corpo magro. [...]
            O menino foi abrindo caminho entre pernas e braços de móveis, contorna aqui, esbarra mais adiante. O quarto era pequeno e cabia tanta coisa.
            Atrás da massa do piano, encurralada a um canto, estava à cama. E nela, busto soerguido, a doida esticava o rosto para frente, na investigação do rumor insólito.
            Não adiantava ao menino querer fugir ou esconder-se. E ele estava determinado a conhecer tudo daquela casa. De resto, a doida não deu nenhum sinal de guerra. Apenas levantou as mãos à altura dos olhos, como protegê-los de uma pedrada.
            Ele encarava-a com interesse. Era simplesmente uma velha, jogada no catre preto de solteiro, atrás da barricada de móveis. E que pequenininha! O corpo sob a coberta formava uma elevação minúscula. Miúda, escura, desse sujo que o tempo deposita na pele, manchando-a. E parecia ter medo.
            Mas os dedos desceram um pouco, e os pequenos olhos amarelados encararam por sua vez o intruso com atenção voraz, desceram às suas mãos vazias, tornaram a subir ao rosto infantil.
            A criança sorriu, de desaponto, sem saber o que fizesse.
            Então a doida ergueu-se um pouco mais, firmando-se nos cotovelos. A boca remexeu, deixou passar um som vago e tímido.
            Como a criança não se movesse, o som indistinto se esboçou outra vez.
            Ele teve a impressão de que não era xingamento, parecia antes um chamado. Sentiu-se atraído para a doida, e todo desejo de maltratá-la se dissipou. Era um apelo, sim, e os dedos, movendo-se canhestramente, o confirmavam.
            O menino aproximou-se, e o mesmo jeito da boca insistia em soltar a mesma palavra curta, que, entretanto não tomava forma. Ou seria um bater automático de queixo, produzindo um som sem qualquer significação?
            Talvez pedisse água. A moringa estava no criado-mudo, entre vidros e papéis. Ele encheu o copo pela metade, estendeu-o. A doida parecia aprovar com a cabeça, e suas mãos queriam segurar sozinhas, mas foi preciso que o menino a ajudasse a beber. Fazia tudo naturalmente, e nem conservava qualquer espécie de aversão pela doida. A própria ideia de doida desaparecera. Havia no quarto uma velha com sede, e que talvez estivesse morrendo.
            Nunca  vira ninguém morrer, os pais o afastavam se havia em casa um agonizante. Mas deve ser assim que as pessoas morrem.
            Um sentimento de responsabilidade apoderou-se dele. Desajeitadamente, procurou fazer com que a cabeça repousasse sobre o travesseiro. Os músculos rígidos da mulher não o ajudavam. Teve que abraçar-lhe os ombros – com repugnância – e conseguiu, afinal, deitá-la em posição suave.
            Mas a boca deixava passar ainda o mesmo ruído obscuro, que fazia crescer as veias do pescoço, inutilmente. Água não podia ser, talvez remédio...
            Passou-lhe um a um, diante dos olhos, os frasquinhos do criado-mudo. Sem receber qualquer sinal de aquiescência. Ficou perplexo, irresoluto. Seria caso talvez de chamar alguém, avisar o farmacêutico mais próximo, ou ir à procura do médico, que morava longe. Mas hesitava em deixar a mulher sozinha na casa aberta e exposta a pedradas. E tinha medo de que ela morresse em completo abandono, como ninguém no mundo deve morrer [...].
            Foi tropeçando nos móveis, arrastou com esforço o pesado armário da janela, desembaraçou a cortina, e a luz invadiu o depósito onde a mulher morria. Com o ar fino veio uma decisão. Não deixaria a mulher para chamar ninguém. Sabia que não poderia fazer nada para ajudá-la, a não ser sentar-se à beira da cama, pegar-lhe nas mãos e esperar o que ia acontecer.

Vocabulário

Aberrante: o que se afasta do que é considerado normal ;  Galgar: subir, transpor, saltar; Aquiescência: concordância, consentimento Gretado: rachado;  Aquinhoado: favorecido, contemplado ; Insólito: incomum, anormal, raro ; Caçarola: um tipo de panela;  Irresoluto: indeciso ;Calhau: pedaço, fragmento ;Lapidar: apedrejar, atacar ou matar com  pedras ;Canhestramente: desajeitado, tímido ;Projétil: qualquer corpo que pode ser  lançado ;Catre: cama rústica e pobre ;Repudiar: rejeitar, abandonar ;Cólera: raiva intensa, ira, furor ;Repugnância: nojo, repulsa, asco ;Desgrenhado: sem pentear, desalinhado ;Soerguer: erguer-se um pouco, levantar-se ;Dissipar: desaparecer, dispersar ;Suspicaz: suspeito, estranho ;Eclipsar-se: desaparecer, afastar-se ;Voraz: faminto, ávido

ESTUDO DO TEXTO

1. Na cidade, havia uma “doida”.

a) As pessoas conheciam bem essa mulher e o seu passado?

b) Entre os trechos a seguir, indique aqueles que confirmam sua resposta.
(  ) “Como era mesmo a cara da doida, poucos poderiam dizê-lo.”
(  ) “Mas era bom passar pela casa da doida e provoca-la.”
(  ) “Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às outras.”
(  ) “Corria, com variantes, a história de que fora noiva.”

2. O texto aponta uma causa para a suposta loucura da mulher. De acordo com a versão apresentada no texto:

a) Que fato poderia ser responsável pelo enlouquecimento da mulher?

b) Que comportamento dela eram tomados pela população como indícios de loucura?

c) Na sua opinião, essa mulher era realmente doida?

3. As crianças cresciam ouvindo histórias sobre “a doida”.

a) De acordo com o quinto parágrafo, o que as motivava a atirar pedras na casa da mulher?

b) As mães concordavam com o comportamento dos filhos? Por quê?

4. O texto narra a aventura de três meninos que resolvem se divertir atirando pedras na casa da “doida”.

a) Inicialmente, eles pretendiam entrar na casa da mulher?

b) A cada pedra que atiravam, o que despertava a curiosidade e a coragem deles?

5. Observe as palavras e expressões destacadas nestes trechos do texto:

· “resolveu invadir o jardim” ;  · “tinha pressa em chegar ao campo” ; · “entrar em terreno proibido” ; · “Pisar um chão pela primeira vez; e chão inimigo” ; · “a doida não deu nenhum sinal de guerra”  ; · “atrás da barricada de móveis” .

a) A escolha dessas palavras e expressões mostra que o narrador procurou criar um cenário aonde vai se dar o encontro das duas personagens. Que tipo de cenário é esse?

b) Quem, na verdade, vê a casa como se fosse um cenário desse tipo?

6. O narrador descreve com detalhes o jardim e o interior da casa.

a) Como eram esses dois espaços? Justifique sua resposta com palavras do texto.

b) O menino se surpreende ao ver que o jardim está abandonado. Qual a razão?

c) Mais tarde, ele vai compreender por que o jardim está abandonado. Qual a razão?

7. O menino encontra a “doida” num quarto entulhado de móveis, que formavam uma “barricada” em torno da cama.

a) Levante hipóteses: Por que a mulher teria escolhido esse quarto para se refugiar?

b) O que a palavra barricada sugere quanto ao modo como a mulher se sentia?

c) Portanto, ela também se sentia em guerra?

8. O encontro do menino e da mulher surpreendeu os dois.

a) Qual foi a reação dela ao ver o menino? Por quê?

b) Por que o menino se surpreendeu?

c) Que sentimento brotou espontaneamente no menino ao ver a condição da velhinha?

9. A experiência vivida pelo menino assume um significado especial no texto, pois revela um lado de sua personalidade que ele próprio desconhecia.

a) Qual é esse lado?

b) Inicialmente o menino abraçou a velhinha com repugnância para ajuda-la a deitar-se; entretanto, no final do texto, mostra-se disposto a pegar as mãos dela espontaneamente. O que essa mudança de atitude do garoto demonstra?

c) Com essa experiência, você acha que o menino “cresceu”? Por quê?


10. O texto lido aborda vários temas, entre os quais a maldade infantil, o casamento tradicional, a família, a loucura, a velhice, a solidão. Que reflexões ele provoca sobre o relacionamento das pessoas com o “outro”? 

segunda-feira, 10 de julho de 2017

LER para SER




Análise textual

                                              Leitura e  Análise Textual - 7º Ano
                      
                                                   Sete anos e mais sete


        Era uma vez um rei que tinha uma filha. Não tinha duas, tinha uma, e como só tinha essa gostava dela mais do que de qualquer outra.
        A princesa também gostava muito do pai, mais do que de qualquer outro, até o dia em que chegou o príncipe. Aí ela gostou do príncipe mais do que de qualquer outro.
        O pai, que não tinha outra para gostar, achou logo que o príncipe não servia. Mandou investigar e descobriu que o rapaz não tinha acabado os estudos, não tinha posição, e o reino dele era pobre. Era bonzinho, disseram, mas enfim, não era nenhum marido ideal para uma filha de quem o pai gosta mais do que de qualquer outra.
        O rei então chamou a fada, madrinha da princesa. Pensaram, pensaram , e chegaram à conclusão de que o jeito melhor era botar a moça para dormir. Quem sabe, no sonho sonhava com outro e se esquecia dele.
        Dito e feito, deram uma bebida mágica para a jovem, que adormeceu na hora sem nem dizer boa noite.
        Deitaram a moça numa cama enorme, num quarto enorme, dentro de outro quarto enorme, onde se chegava por um corredor enorme. Sete portas enormes escondiam a entrada pequena do enorme corredor. Cavaram sete fossos ao redor do castelo. Plantaram sete trepadeiras nos sete cantos do castelo. E puseram sete guardas.
        O príncipe, ao saber que sua bela dormia por obra de magia, e que pensavam assim afastá-la dele, não teve dúvidas. Mandou construir um castelo com sete fossos e sete plantas. Deitou-se numa cama enorme, num quarto enorme, onde se chegava por um corredor enorme disfarçado por sete enormes portas e começou a dormir.
        Sete anos se passaram e mais sete. As plantas cresceram ao redor.Os guardas desapareceram debaixo das plantas. As aranhas teceram cortinados de prata ao redor das camas, nas salas enormes, nos enormes corredores. E os príncipes dormiam nos seus casulos.
        Mas o príncipe não sonhou com ninguém a não ser com a princesa. De manhã sonhava que via seus cabelos na janela, e que tocava alaúde para ela. De tarde sonhava que sentavam na varanda, e que ela bordava enquanto ele brincava com os cães e com o falcão. E de noite sonhava que a Lua ia alta e que as aranhas teciam.
        Até o dia em que ambos sonharam que era chegada a hora de casar, e sonharam um casamento cheio de festa e de música e de danças. E sonharam que tiveram muitos filhos e que foram muito felizes para o resto da vida.

                                       COLASANTI, Marina. Uma ideia toda azul.São Paulo: Global, 1999.



Trabalhando o texto


1- Depois de ter lido o texto Sete anos e mais sete, percebemos um certo estranhamento já no primeiro parágrafo. Qual seria ele?

2- Em que outro trecho do texto percebe-se ainda esse estranhamento?

3- O que causa o conflito da história?

4- Por que o pai achava que o príncipe não servia para casar com sua filha?

5- O que as investigações do pai revelaram a respeito do príncipe?

6- Qual foi a solução encontrada para não haver casamento?

7- Que elementos do texto mostram implicitamente a passagem do tempo?

8- Observe a descrição do local onde a princesa foi trancada e de onde o príncipe se trancou. Que  efeito de sentido essas descrições produzem?

9- Esse conto possui elementos dos contos de fadas tradicionais. Cite alguns.

10- Compare, agora, o final desse conto ao dos contos de fadas tradicionais.

O príncipe e a princesa “ viveram felizes para sempre”? Justifique.

sábado, 8 de julho de 2017

Leitura sempre

Um sono assim, suave e gostoso,
povoado de sonhos, só mesmo nas páginas de um livro...



Imagem  -  https://www.google.com.br/search?q=moça+dormindo+num+livro&rlz=1C1KMZ

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Gênero Textual RELATO

EE Profª Margarida Maia de Almeida Vieira
Atividade de interpretação de relato pessoal  - 7ºano

Férias na Antártica
Laura, Tamara e Marininha Klink
Nascemos numa família que gosta de viajar de barco, e muito. Crescemos enquanto nosso pai construía um novo veleiro, o Paratii 2. Pessoas que nunca tinham visto um barco antes também participaram da sua construção, que aconteceu devagar, longe do mar e com muito esforço. Quando ficou pronto, tornou-se famoso pelas viagens que fez e por ser um dos barcos mais modernos do mundo. Nossa mãe sabia que o barco era seguro e que poderia levar toda a nossa família. Então pediu para irmos todos juntos numa próxima vez e nosso pai concordou! Ficamos felizes porque, finalmente, não ficaríamos na areia da praia dando tchau.

Partimos para uma longa viagem e deixamos nossos avós com saudades. Viajamos para um lugar que muitas pessoas nem imaginam como é. Para chegarmos lá, balançamos para cima e para baixo, para um lado e para o outro, com movimentos nem um pouco agradáveis, nada parecidos com os que experimentamos em terra firme.
Fomos para um continente que não tem dono, bandeira ou hino, onde sentimos temperaturas abaixo de zero. Dizem que ali é tudo branco e só tem gelo, mas enquanto viajávamos fomos descobrindo muitas cores e diferentes tons de branco.
Sempre nos perguntam: "O que vocês fazem lá?" "Tudo!" é a nossa resposta. É um lugar muito especial chamado Antártica. E por que é tão especial assim?
[...]
Quando deixamos a América do Sul rumo à Antártica, passamos pelo extremo sul do continente americano, o famoso cabo Horn. A partir dali, navegamos pelo estreito de Drake. Com muito mar pela frente, estamos sempre acompanhados por muitas aves marinhas, principalmente petréis e albatrozes.
Conforme nos aproximamos da Antártica, a água vai esfriando, ficando mais densa e o alimento começa a ficar mais concentrado, atraindo um número maior de animais. É como se entrássemos num enorme carrossel de animais e icebergs que flutuam em volta do continente antártico. Esse cinturão azul que abraça o continente é chamado de Convergência Antártica.
Ali sabemos que estamos mais perto do nosso destino do que de casa, e temos a sensação de que a viagem dos nossos sonhos está acontecendo.
Depois de cruzarmos o Drake - que é a parte chata porque todo mundo passa mal no barco -, nossa ansiedade aumenta ainda mais. Alguns sinais indicam que finalmente estamos

 chegando: não vemos mais albatrozes no céu, sentimos o vento gelado no rosto e não dá mais para ir do lado de fora sem luvas e gorros. Começamos a ver grupos de pinguins saltando para fora da água e focas se exibindo no mar.
Quando nosso pai diz que já é possível encontrar um iceberg no caminho, a gente fica mais tempo do lado de fora do barco fazendo companhia para ele no frio. Achamos que ele gosta de sentir frio. Nós gostamos só um pouquinho e logo queremos voltar para o calor da cabine. Mas como esse é um momento especial, temos um combinado no barco: quem avistar o primeiro iceberg da viagem ganha um prêmio. Assim a gente sente coragem de ficar mais tempo no frio!
[...]
Quanto mais nos aproximamos da Antártica, maior é o número de icebergs. Eles vão surgindo, com formatos e tamanhos diferentes. O que varia bastante também são as cores. É, as cores! Dependendo da posição do sol, das condições climáticas do dia, do tamanho do iceberg, da largura da parede de gelo, da densidade e de outros elementos, um iceberg pode ser muito diferente do outro.
Mesmo de longe, eles são muito diferentes. Não são apenas blocos de gelo. Cada um é único. São tons de branco, cinza, azul e verde muito diferentes dos que estamos acostumados a ver no Brasil. Leva um tempo pra gente se acostumar. A água vai batendo pouco a pouco no iceberg e o gelo vai se moldando, sendo esculpido em pontas, rampas, pequenas piscinas e cavernas. Formam-se até pontas de gelo que lembram estalactites, que a gente pode pegar com as mãos e brincar de "picolés de gelo"!
Muita gente conhece a frase "isso é apenas a ponta do iceberg", que usamos para dizer que tem muito mais do que parece em alguma coisa. Isso acontece porque a parte do iceberg que está acima do mar corresponde a apenas 30% do seu total; o resto está submerso. Esse fato também é conhecido, mas ver icebergs ao vivo nos leva a pensar em coisas que nem todo mundo pensa: quando um iceberg derrete, ele vai subindo ou capota e mostra a parte que estava debaixo d'água? [...]
  KLINK. Laura; KLINK, Tamara; KLINK, Marininha. Férias na Antártica. São Paulo: Grão, 2010.

Interpretação do texto

1. Em um relato pessoal, quem escreve tem a intenção de registrar acontecimentos, seu ponto de vista ou suas impressões sobre os fatos mencionados. Responda:
a) Qual foi o acontecimento registrado no relato que você leu?
b) Quem participa do acontecimento?
2. Logo no início do relato, as meninas afirmam: "[...] finalmente, não ficaríamos na areia da praia dando tchau". O que pode significar essa afirmação?
3. No segundo parágrafo do relato, as garotas afirmam: "Viajamos para um lugar que muitas pessoas nem imaginam como é". Na sequência, elas apresentam alguns dados gerais sobre a região, antes mesmo de contarem como foi chegar lá. Identifique esse trecho e copie três informações gerais sobre a Antártica fornecidas.
4. Em determinado trecho do relato, as irmãs procuram expressar as sensações da aproximação do barco ao continente. Identifique o trecho e indique os sinais escolhidos pelas narradoras do relato para mostrar que:
a) estavam mais próximas do destino do que de casa;
b) estavam finalmente chegando ao destino. Não havia mais albatrozes no céu. O vento era mais gelado, surgiam pinguins, focas e Icebergs.
5. Iceberg é um termo inglês: ice significa 'gelo', berg, 'montanha'. Trata-se de uma grande massa de gelo flutuante desprendida de uma geleira. Embora essa descrição possa parecer suficiente, as meninas afirmam que os icebergs não são "apenas blocos de gelo" e dedicam alguns parágrafos inteiros a eles.
a) Que particularidades dos icebergs chamaram a atenção delas?
b) Por que você acha que elas deram tantos detalhes dessas massas de gelo flutuantes? 
6. Em seu relato, as irmãs Klink fazem referência aos lugares por onde passam, dando a localização precisa do espaço geográfico da realidade. Copie expressões do texto que se referem a esses locais.

Linguagem do texto

Por Férias na Antártica ser um relato pessoal, em muitos momentos é possível identificar nesse texto o uso de uma linguagem mais espontânea, mais informal. O fato de ser escrito por três jovens também contribui para isso.
Releia os trechos a seguir:
[...] Assim a gente sente coragem de ficar mais tempo no frio!
[...] Leva um tempo pra gente se acostumar.
O uso da expressão a gente substituindo a primeira pessoa do plural nós caracteriza uma linguagem mais familiar, mais informal. Ao mesmo tempo, por desejarem registrar com mais exatidão o que veem, em muitos momentos do relato as meninas empregam uma linguagem mais objetiva, mais precisa, Observe que são usadas expressões da área científica, como "condições climáticas" e "densidade":
Dependendo da posição do sol, das condições climáticas do dia, do tamanho do iceberg, da largura da parede de gelo, da densidade e de outros elementos, um iceberg pode ser muito diferente do outro.
1. Copie outro trecho em que a linguagem é empregada de forma mais objetiva, descrevendo com detalhes o que as meninas viram.
As irmãs Klink relatam uma experiência marcante vivida por elas, Por isso a linguagem do relato revela também suas emoções e seus sentimentos. Dizemos que, em alguns trechos, é usada uma linguagem subjetiva, isto é, percebem-se os gostos, as impressões e os sentimentos pessoais das irmãs no texto.
Observe os trechos destacados:
"Achamos que ele gosta de sentir frio. Nós gostamos só um pouquinho e logo queremos voltar para o calor da cabine."
2. Transcreva outro trecho em que se perceba uma linguagem mais subjetiva, isto é, que revele sentimentos ou impressões pessoais.
Tempo verbal
O texto que você leu pode ser dividido em duas partes: antes e durante a viagem. Ao relatar a experiência, as meninas estão em outro momento, a aventura já acabou; portanto, tudo o que contam da viagem pertence ao passado delas. Observe o modo como se usam os tempos verbais nesse texto.

1. Pessoas que nunca tinham visto um barco antes também participaram da sua construção, que aconteceu devagar, longe do mar e com muito esforço.
a) Responda: qual é o tempo verbal que predomina nesse trecho?
b) Copie  outro trecho do relato em que esse tempo predomine.
2. Observe o emprego dos tempos verbais em outro momento do texto.
Durante a viagem
Ali sabemos que estamos mais perto do nosso destino do que de casa, e temos a sensação de que a viagem dos nossos sonhos está acontecendo.

a) Responda: qual é o tempo verbal que predomina nesse trecho?

b) Copie outro trecho em que esse tempo predomina.