domingo, 3 de setembro de 2017

Ler é voar


Concordância


EE Profª Margarida Maia de Almeida Vieira
Língua Portuguesa – Estudo da Língua – Concordância  - 3 º Bimestre / 2017
Aluno : ........................................................................Nº .......... Turma......Data: ......../........./.............
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Texto 1

Rua Morta

Longa rua distante de subúrbio,
velha e comprida rua não violada pelos prefeitos,
passo sobre ti suavemente neste fim de tarde de domingo.

Sinto-te o coração pulsando oculto sob as areias.
 O sangue circula na copa imensa dos flamboyants.

Tropeço nos passos perdidos há muito nestas areias,
onde as pedras não vieram ainda sepultá-los.
 Passos de homens que jamais voltarão.

Ó velhos chalés de 1830,
 eterniza-se entre as paredes o eco das vozes de invisíveis habitantes.
Mãos de sombras femininas abrem de leve janelas no oitão.

 Há um cheiro de jasmins e resedás
que não vem dos jardins abandonados,
mas dos cabelos dos fantasmas das moças de outrora.

1. Observe a primeira estrofe do poema. Identifique e transcreva os adjetivos que caracterizam o substantivo rua.

2. Reescreva a primeira estrofe, trocando o substantivo rua por viaduto. Faça as alterações necessárias.

3. Reescreva os versos abaixo, fazendo as alterações propostas.

a. Ó velhos chalés de 1830. (Troque chalés por casas)

b. Tropeço nos passos perdidos há muito nestas areias. (Troque areias por caminhos)

Texto 2
Cuitelinho

Renato Teixeira

Cheguei na beira do porto
 Onde as onda se espaia
As garça dá meia volta E senta na beira da praia
E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia,ai,ai
Ai quando eu vim
 da minha terra
Despedi da parentália
 Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaias
 Lá tinha revolução
Enfrentei fortes batáia,ai, ai
A tua saudade corta
Como aço de naváia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
E os óio se enche d´água
 Que até a vista se atrapáia, ai...

A canção “Cuitelinho” faz parte do nosso folclore e, portanto, como toda autêntica canção folclórica não tem um autor conhecido.  Paulo Vanzolini foi  quem a recolheu da boca do povo. Ficou famosa por ser gravada por Milton Nascimento, Pena Branca e Xavantinho e imortalizada, principalmente, na voz de Nara Leão.
"Cuitelinho” é nome que se dá ao beija-flor em algumas partes do centro-sul do Brasil.
A língua não é usada de modo homogêneo por todos os seus falantes. O uso de uma língua varia de época para época, de região para região, de classe social para classe social, e assim por diante. Portanto, além do português padrão, há outras variedades de usos da língua.
1. A variedade linguística empregada no texto é caracterizada pelo registro, na escrita, de formas típicas da linguagem oral.
a. Identifique no texto palavras ou expressões que tenham sido escritas exatamente como se fala.
b. Algumas palavras recebem grafia diferente da que é escrita pela norma-padrão. Identifique no texto palavras em que ocorrem a vocalização do -lh. (Exemplo: naváia ao invés de navalha)
2. Observe os versos abaixo:
"Cheguei na beira do porto Onde as onda se espaia As garça dá meia volta."
a. De acordo com a norma-padrão, a concordância nominal se dá entre o substantivo e seus determinantes em gênero (masculino/feminino) e em número (singular / plural). Nos versos acima, houve desvio da concordância nominal? Transcreva-os.
b. Esse desvio de concordância se dá em relação ao número (singular/plural) ou ao gênero (masculino / feminino)? Exemplifique.
3. Observe que a marca de plural aparece no primeiro elemento:
"Onde as onda se espaia As garça dá meia volta"
a. Isso é suficiente para pluralizar a ideia? Explique.
4. Essas situações e outras do texto demonstram que o autor, intencionalmente, fez uso de uma variante linguística para identificar o falar específico e um determinado grupo social. Comente.
5. Responda:
O desvio da norma-padrão, no que diz respeito à concordância nominal, pode ser um recurso expressivo para caracterizar o grupo social ao qual pertence o eu-lírico, o narrador ou uma personage